UM GRANDE SAMBISTA NÃO SE FAZ , NASCE DO POVO

Silvio Modesto é considerado o mais completo sambista carioca em São Paulo. Mestre-sala nota dez, compositor inspirado, excelente ritmista e um dos maiores partideiros do Brasil. Veio pra São Paulo pra desafogar, que a maré não estava pra peixe lá na Carioca. Veio se virando com os bilhetes premiados. Naquela de jogar a sorte grande no pé do otário e dizer que foi o destino. PLINIO MARCOS

terça-feira, 11 de maio de 2010

UMA OPINIÃO COMPETENTE - NEI LOPES -

Não vou dizer que São Paulo é o “berço”, porque o samba, como é conhecido hoje, formatou-se no Rio, no longo eixo Praça Onze-Estácio-Osvaldo Cruz, depois de ocorrer sincronicamente em vários pontos do país, inclusive em terras paulistanas, desde pelo menos o século 19. Mas digo veementemente que o preconceito de uma certa intelectualidade litorânea carioca contra o samba paulista sempre foi uma rematada besteira. Que o digam, por exemplo, Jangada, Talismã, Sílvio Modesto, Murilão e os primeiros Originais do Samba, grandes artistas cariocas que acolheram e foram acolhidos pelo samba de São Paulo há muito tempo. Que se evoquem, também, a cumplicidade entre Padeirinho da Mangueira e Germano Matias; e a afinidade histórica entre o Largo da Banana e a Praça Onze – só para citar dois ou três exemplos.

Diferenças, se houve e há, estão nas escolas de samba. Que, no Rio, deixaram há quase 30 anos, de ser expressão do poder e da cultura das comunidades negras, para serem a milionária atração turística que hoje são. E que em São Paulo, em sua maioria, ainda fitam, cautelosas, a bifurcação do caminho.

NEI LOPES

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